O lançamento da edição 2026 do Filantropia na Cidade reuniu lideranças de diferentes áreas para uma conversa sobre solidariedade, engajamento social e construção de iniciativas de impacto com mais articulação, escala e governança.
Promovido pelo FONIF, com apoio do Instituto Presbiteriano Mackenzie e do Semesp, o webinar apresentou os caminhos da nova edição do movimento e reforçou uma ideia central: a transformação social precisa ser construída de forma coletiva, estruturada e contínua.
Na abertura do encontro, Custódio Pereira, presidente do FONIF, relembrou a origem do Filantropia na Cidade e o propósito que move a iniciativa desde sua criação. Segundo ele, o movimento nasce do entendimento de que a responsabilidade pela transformação das cidades e pela redução das desigualdades não é apenas do Estado, mas também da sociedade.
“O que nós queremos é criar, principalmente nos alunos, nos jovens, essa sensação de que eles podem fazer a diferença”, afirmou.
Custódio também destacou os resultados já alcançados pelo movimento em sua edição anterior, realizada em São Paulo: mais de 40 mil pessoas atendidas e 6 mil voluntários mobilizados, em uma experiência que mostrou a força de uma ação articulada entre instituições, estudantes e sociedade civil.
Filantropia com estratégia, evidência e conexão
Participando diretamente do Reino Unido, Daniela Baroni compartilhou sua experiência internacional na intersecção entre negócios, filantropia e investimento de impacto. Ao longo de sua fala, ressaltou a importância de construir iniciativas duradouras, com clareza de objetivos, definição de papéis, governança, medição de impacto e confiança entre os parceiros.
Ela apresentou como exemplo a Education Endowment Foundation, organização voltada a romper o vínculo entre renda familiar e desempenho escolar na Inglaterra. A partir dessa experiência, Daniela destacou que projetos de impacto precisam ser desenhados para durar, ir além das lideranças fundadoras e manter foco nos resultados que se deseja alcançar.
Para ela, o voluntariado e a filantropia são portas de entrada importantes, mas o desafio maior é transformar esse engajamento em participação mais profunda, capaz de influenciar decisões, fortalecer estruturas e gerar mudança sistêmica.
O papel da articulação e do investimento sistêmico
Representando a B3 Social, Fabiana trouxe a perspectiva de quem atua conectando diferentes atores do ecossistema social. Em sua fala, lembrou que a filantropia brasileira já movimenta volumes expressivos de recursos, mas ainda de forma fragmentada, com baixa articulação e dificuldade de gerar transformação estrutural.
Ela explicou que a B3 Social vem se posicionando cada vez mais como uma ponte entre instituições, agendas e iniciativas, conectando quem formula, quem financia, quem executa e quem vive os desafios no território.
Fabiana também chamou atenção para um dado importante: o brasileiro quer doar, mas muitas vezes não sabe como, para quem ou com que nível de segurança. Por isso, defendeu que o país precisa não apenas mobilizar mais recursos, mas também qualificar o engajamento, ampliando a confiança, a transparência e a visão de longo prazo.
“Ninguém escala impacto sozinho”, resumiu.
Escuta, cocriação e compromisso com a realidade
Já Vânia trouxe ao debate a força da experiência vivida. Ao compartilhar sua própria trajetória, mostrou como a educação de qualidade pode transformar vidas e como projetos sociais bem estruturados podem abrir caminhos reais de mobilidade e protagonismo.
Falando a partir de sua atuação na área da saúde e da filantropia hospitalar, ela destacou que muitas organizações ainda partem de soluções prontas, sem antes compreender com profundidade quais são as dores reais da população. Para Vânia, a construção de impacto exige escuta, humildade e cocriação.
Ela apresentou exemplos concretos de iniciativas desenvolvidas em parceria com o poder público e com outros setores, reforçando que colocar a causa no centro é o que permite construir conexões improváveis, mas necessárias.
“O projeto social vai além da caridade. Ele precisa nascer de um interesse genuíno pela realidade das pessoas”, afirmou.
Uma convocação para agir em rede
Ao longo de todo o webinar, ficou evidente que o Filantropia na Cidade quer ir além de uma mobilização pontual. A proposta é fortalecer uma cultura de participação, responsabilidade compartilhada e ação articulada, reunindo instituições, universidades, empresas, estudantes e lideranças em torno de causas comuns.
No encerramento, Custódio Pereira compartilhou ainda uma perspectiva promissora para 2026: a possibilidade de expansão internacional do movimento, com instituições da América Latina demonstrando interesse em participar da iniciativa.
Com inscrições abertas, o Filantropia na Cidade 2026 se apresenta como uma oportunidade para que instituições ampliem o alcance de suas ações, se conectem a uma rede nacional de mobilização e contribuam para consolidar um movimento cada vez mais forte em defesa do impacto social.

